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Ciberespaço e Cibercultura

O espaço cibernético, ciberespaço, é o espaço de interação humana que surge a partir da instauração de uma rede de todas as memórias informatizadas e de todos os computadores envolvendo a infra-estrutura material, o universo da informação e os seres humanos que dele participam, que o alimentam e dele se alimentam.
Segundo Pierre Levy, a cibercultura propaga a co-presença e a interação de quaisquer pontos do espaço físico, social ou informacional. A interatividade é uma propriedade intrínseca da comunicação digital.

Comunicação Digital
 
A internet proporciona uma nova forma de pensar e fazer a comunicação na sociedade contemporânea. Uma nova forma de comunicação na qual a relação é estabelecida entre uns e outros no contexto todos-todos, na qual todas as mensagens se tornam interativas e têm uma possibilidade de metamorfose imediata. Enquanto as mídias convencionais (tv, rádio e jornal) promovem relações no contexto um-todo com pouca ou nenhuma interatividade, seguindo o modelo da teoria da informação na qual o emissor envia uma mensagem ao receptor, a internet oferece um modelo no qual todos são emissores e receptores da mensagem.
O emissor-receptor participa da mensagem, pois ele não está mais numa posição passiva e sim, diante de uma mensagem dinâmica. Ele não propõe mais uma mensagem fechada, e sim, um leque de possibilidades. O receptor não está mais em posição de recepção clássica. A mensagem só toma todo o seu significado sob a sua intervenção. Ele é também um criador.
A mensagem é modificada pela intervenção do receptor e perde seu status de mensagem ‘emitida’. No modelo da informação que se baseava numa ligação unilateral emissor-mensagem- receptor, não se aplica a interatividade. Quando dissimulado atrás do sistema, encontramos uma situação de comunicação nova onde o emissor e o receptor são interagentes de uma mensagem dinâmica.

“Não é mais o leitor que vai se deslocar diante do texto, mas é o texto que, como um caleidoscópio, vai se dobrar e se desdobrar diferentemente diante de cada leitor”.(Pierre Levy:1999).
 

 

Pixman 
Entre nós e o mundo estão os meio tecnológicos de comunicação. 
 
Do ringtone do despertador do celular “baixado” de um computador Apple com chip Intel, dos cartões de telefone pré-pagos vendidos em bancas de jornal aos presentes comprados em lojas virtuais, cartões e flores on-line acessados a partir de um click no banner eletrônico. Dos flashes das câmeras digitais nas festinhas de crianças ao Fickr dessas imagens criado alguns minutos depois em um iPhone ou enviados pelo Blackberry de dentro de um carro com um mini DVD Player Panasonic. A tecnologia passou a fazer parte do cotidiano e promoveu a digitalização do social. E-mail, messenger, ICQ, blog, fotolog, Orkut, Youtube, Facebook, Twitter, Netvibes, Multiply, mms, sms, scarps para comunidades virtuais e colegas de trabalho, amigos da escola ou primos não tão distantes. Até aqui nada de novo. Nada que “Denise está chamando” de Hal Sawen não tenha abordado em 1995.
 
 
Desterritorialização da cultura e escambo infinito 
 
No ciberespaço, troca-se fotos, vídeos, episódios de séries, aplicativos para computador e, após a mudança de perfil do Napster (de programa de trocas de arquivos musicais para loja virtual para associados), o Kazaa, o Emule e tantos outros programas de compartilhamento de arquivos tomaram seu lugar, criando um grande acervo de músicas na rede formada por diversos computadores que fazem parte dela. 
As gravadoras fizeram parcerias com empresas de tecnologia que produzem programas que tocam música no computador, como o Windows Media Player e o Itunes, e passaram a vender o download de suas músicas. Basta fazer o login no programa para receber o boletim de lançamentos na tela do computador. 
O site da gravadora Trama, por exemplo, oferece em sua loja virtual MP3, DVD e CD – a música desvinculada do suporte. Além de divulgar a agenda de seus artistas, tem uma rádio on-line e um espaço universitário com promoções e sorteio de ingressos e produtos. Basta fazer um cadastro, com seus dados e os produtos de sua preferência, de maquiagem a eletrônicos. O que vale aqui é a informação. 
 
Assim como a música em formato mp3, a imagem digital é baseada em modelos matemáticos, desvinculada do suporte material (papel, película, etc) e pode ser modificada em tempo real. O observador pode interagir com o sistema em que ela se apóia e obter uma resposta imediata, como acontece em seu cotidiano. Assim o sujeito que antes era observador se torna usuário, participante, ator. Por meio desta interatividade que a imagem digital permite, ele deixa de ser observador para se tornar participante e, nesta condição de participante, ele passa a ser co-criador da imagem, já que o resultado apresentado é definido por sua intervenção.
 
Pra ouvir:
 
Pra assistir:

deliciados