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Durante muito tempo, os filmes eram feitos em película de 35mm, que vinham em rolos (de filme), expostas como o negativo fotográfico e depois revelada, decupada e montada, dispensando as sequências que não serão aproveitadas. Essa montagem é a edição do filme que, incialmente, era feita em uma moviola por meio da colagem (literalmente, com lâminas para cortar e fitas adesivas para colar) e assim o rolo com a versão final do filme era produzido para exibição. O som estava gravado em um segundo rolo que, no momento da projeção, era colocado em funcionamento junto com o rolo do filme. Claro que, muitas vezes, esse processo de 2 rolos acabava dando problemas na sincronia do som e da imagem e enquanto o ator falava na tela não se ouvia sua voz, apenas em alguns instantes depois. Esse é o processo analógico.
A telecinagem é o processo de transposição das imagens do rolo de filme para um suporte digital ou analógico, como as fitas-cassetes magnéticas. O vídeo facilitou a edição do filmes e introduziu novos recursos visuais, como o cromakey. O cromakey é uma processo de captação da imagem num fundo azul que permite adicionar um novo cenário, uma cena de fundo, nas cenas gravada. A edição deixou a moviola e os rolos e passou a ser feita através de 2 ou mais aparelhos de video-cassete, sem a necessidade de cortar e colar. Falando em vídeo, quem não se lembra das grandes fitas betamax?
Dos grãos aos pixels e o iphone
As novas tecnologias introduziram o processo de captação e edição não-linear, barateando custos e facilitando a produção. O processo digital consiste na transcodificação do filme em modelos matemáticos, a digitalizacão, desvinculando o filme (enquanto produto cinematográfico) do suporte material (película, fita magnética, etc). O material digitalizado é montado em ilhas digitais não-lineares, composta por computadores com sofwares de edição. Do material editado, tem-se a marcação do negativo do rolo do filme, que é levado para o laboratório, onde este é cortado e emendado de acordo com a edição feita digitalmente. Depois da emenda, o filme é copiado e tem sua primeira cópia pronta para ser exibida nos cinemas.
Transcodificar algo é traduzi-lo em outro formato. O processo de digitalização transforma o filme em um emaranhado de procedimentos e significados computacionais, que permitem a difusão, a circulação e o armazenamento do filme-informação.
Uma vez desvinculado do suporte, o filme adquire uma dimensão informacional, transformando-se num objeto composto por bits. Os pixels (aglutinação de Picture e Element, é um pequeno ponto dentre vários outros que formam a imagem digital) substituem os grãos da película, o filme absorve as características da hipermídia, podendo ser modificado em tempo real. Assim como o editor do filme, o observador pode interagir com o sistema em que ela se apóia e obter uma resposta imediata, como acontece em seu cotidiano. Assim o sujeito que antes era observador se torna usuário, participante, ator. Por meio desta interatividade que a imagem digital permite, ele deixa de ser observador para se tornar participante e, nesta condição de participante, ele passa a ser co-criador da imagem, já que o resultado apresentado é definido por sua intervenção. Com a não-linearidade do cinema digital, o tempo cinematográfico rompe definitivamente seus laços com a noção de continuidade temporal. O encontro da linguagem do cinema com a linguagem dos mídias digitais faz do filme um hiperfilme.
Em poucas décadas tudo isso já virou um lugar-comum. Hoje com um celular nem-assim-tão-bacana é possível gravar, editar e enviar para o youtube ou inscrever em algum festival ou promoção de filmes feitos em celular. É o broadcast yourself!, muito além da camera na mão e uma imagem na cabeça ou do it yourself! Isso do ponto de vista do internauta.
Toda a novidade, tecnológica ou não, acaba incorporada pela mídia e aquela pequena ação isolada vira estrela de promoções, virais e outras ações de marketing. Não existe mais campanha para público jovem que não utilize alguma rede social, youtube, myspace ou orkut.
Mas, voltando ao cine no celu, links que valem o clique:
http://www.virginmobilefestival.com
http://www.animamundi.com.br/cel_home.asp
Se David Lynch explora em seus filmes tanto as convenções narrativas quanto a narrativa circular de “Veludo Azul” (1986), e “Estrada Perdida” (1997) – o movimento circular e a utilização de elementos que remetem ao círculo são frequentes no expressionismo alemão, como símbolo do caos – , Quentin Tarantino resgata os clichês da cultura americana em “Pulp Fiction” (1995) em uma montagem de múltiplas narrativas atemporais com estética de videoclipe.
No Brasil, épicos como “Neto perde sua alma” de Beto Souza e Tabajara Rios, que mostra a Revolução Farroupilha e a Guerra dos Farrapos segundo o cinema clássico, dividem as poucas salas de exibição com “Cidade de Deus”, de Fernando Meireles, que retrata a vida nas favelas do Rio de Janeiro, quase como uma releitura do cinema novo, com uma montagem extramente fragmentada.
A sétima arte, como o cinema era chamado, começou buscando elementos em cada uma das seis artes anteriores a ela. Dos esquetes do teatro, vieram os primeiros filmes de Chaplin e seu personagem Carlitos, caracterizado pelo humor, a poesia e crítica social. Do retrato da figura Humana na pintura, originou-se “Joana D’Arc”, de Carl Dreher, e, em 1919, “O Gabinete do Doutor Caligari”, de Robert Wiene, inspirado no Expressionismo Alemão, que apresenta a realidade de forma subjetiva, por meio de distorção de rostos e ambientes e de alto contraste luz e sombra, como um retrato da Alemanha pós-guerra. Os movimentos de câmera, os ângulos das tomadas e a estrutura dos cenários contribuíam para se evidenciar o país devastado.
Mas foi principalmente da literatura clássica, com suas narrativas lineares e temporais, que deu origem a narrativa clássica do cinema, na qual a história, que antes era marcada pela simultaneidade de ações num único plano, passa a ser apresentada de forma linear (começo, meio e fim) e a montagem dos planos obedece a uma seqüência cronológica. Essa é a forma de narrar a maior parte dos filmes, de bíblicos como “Os Dez Mandamentos” a clássicos como “…E o Vento Levou”.
Assim como a literatura, o cinema também se modificou, rompeu padrões, evoluiu. Em 1915, David Griffith revoluciona a linguagem cinematográfica com “O Nascimento de uma Nação”, utilizando recursos como o close, grandes planos, movimentos de câmera e utilização de paisagens naturais como locações. Em 1916, faz “Intolerância”, com montagem e narrativa paralelas, alternando, de duas ou mais linhas de ação, quatro histórias diferentes, passadas em épocas diferentes.
O “Encouraçado Potemkin” (1925), de Serguei Eisenstein, é uma homenagem à Revolução Russa e uma renovação das técnicas de iluminação, montagem com imagens sucessivas e movimentos de câmera, acentuando a marcação do ritmo do filme. Como não lembrar da sequência do carrinho de bebê descendo lentamente a escadaria repetida em “Os Intocáveis“?
“Um Cão Andaluz” (1928), de Luis Buñuel em parceria com Salvador Dalí, expressa os desejos irracionais através de metáforas visuais, sem preocupações com a temporalidade ou a linearidade da narrativa. O filme é considerado a obra-síntese do Surrealismo no Cinema.
Um dos primeiros filmes a contar toda a história em flashback é “Cidadão Kane”, de Orson Welles (1941), que, com um enredo não-linear, subverte a narrativa cronológica. Além de começar pela morte do protagonista e de sua última e enigmática palavra (Rosebud), a história de Kane é reconstituída por vários personagens que conviveram com ele, recheado de inserts, lembrando muito o romance “O Som e a Fúria”, de Willian Faulkner, escrito doze anos antes, todo narrado na primeira pessoa, por diferentes personagens. Alain Resnais parte do romance “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust e faz “O Ano Passado Em Marimbad”, onde a narrativa é guiada pela memória e não pela cronologia dos fatos.
Jean-Luc Godard, desconstrói a linearidade da narrativa e filma com a câmera na mão, rompendo os padrões com “Acossado”, em 1959. Esse filme é um dos primeiros da Nouvelle Vague.
Em “O Desprezo”, ele faz “o filme dentro do filme”, o metacinema. Enquanto filma Ulisses, o clássico grego, o diretor (Fritz Lang, interpretando ele mesmo) do filme desenvolve a teoria de que Penélope não era fiel ao herói. Mas é a sua mulher que é amante do produtor do filme. É a desmistificação do cinema, por seus truques e efeitos, mostrando sua capacidade de criar ilusões. É também a desconstrução da imagem, evidenciando os bastidores da produção do filme, o making of.
A Nouvelle Vague, representada pelos seus diretores com Godard e Resnais, propõe a quebra da narrativa clássica, o fim da linearidade, e a valorização da direção cinematográfica por meio do filme dito de autor.
No Brasil, o Cinema Novo, tal como a Nouvelle Vague é também uma proposta de ruptura. Nelson Pereira dos Santos é o precursor, em 1956, com “Rio 40 Graus” . Em 1964, Glauber Rocha faz “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Os filmes são caracterizados pela rejeição dos valores e da linguagem estética da produção de estúdio, fazem pouco uso das tecnologias do cinema (por falta de verba de produção mesmo), utilizam som direto (captado diretamente no set de filmagem) e tem como cenários as locações externas. Além de retratarem as contradições socioculturais e as características econômicas de um país dependente e subdesenvolvido, temas ausentes até então no Cinema Brasileiro.
O cinema contemporâneo, ou pós-moderno, conta sua própria história pela combinação de elementos de diferentes gêneros e expectativas de gêneros, um mix de nostalgia do glamour hollywoodiano e do punk, mostrando um inconsciente coletivo no processo de identificar seu próprio presente e, ao mesmo tempo, o fracasso dessa tentativa recombinando os esteriótipos do passado. Segundo Steven Connor, a marca do cinema pós-moderno é a presença simultânea de diferentes formas de pastiche e a multiplicidade estilística. Entre a fetichização da imagem, a banalização das superfícies e a proliferação dos clichês narrativos no cinema e nos programas de televisão, como ainda é possível ver a imagem com uma ânsia de novidade?
Nos filmes é cada vez mais presente o questionamento do estatuto da imagem e da representação, do cinema como um registro do cotidiano, vendo o cinema como um simulacro em que a imagem se bifurca entre distintos caminhos que conduzem para diferentes idéias de temporalidade. O ideal desse cinema é o de fragmentar, absorvendo a linguagem do videoclipe, como um fragmento visual narrativado. O videoclipe é caracterizado por uma montagem acelerada de imagens que acompanham o ritmo da música.
O cinema trabalha com uma ilusão de movimento, pois o que ele faz é congelar instantes, mesmo que bastante próximos, já que o movimento é o que se dá entre esses instantes congelados, e é isso justamente que o cinema não mostra. Assim, a ilusão cinematográfica opera com um movimento abstrato, uniforme e impessoal. Tecnicamente, o instante congelado é um fotograma, que passa numa seqüência de 24 fotogramas por segundo, dando a sensação de movimento para o olho humano.
A montagem é uma seqüência de cenas ajudam a construir a narrativa do filme, contam a história.
Quanto mais frames, maior velocidade quando se fala em animação para web. O default do Flash, por exemplo, é de 12 FPS. Mas dá para animar em 20, 40 ou quantos frames a maquina aguentar até travar.
O que você vê na imagem de cima é um Cinetoscópio, semelhante ao inventado por Thomas Edison para projetar o filme prefurado. A projeção é vista por um espectador por vez. Em 1895 os irmãos Lumiere inventaram o cinematografo a partir do aperfeiçoamento do cinetoscópio.
Mais sobre a história do cinema:
Curtas na web:
http://portacurtas.uol.com.br/index.asp
Sobre cinema:
Batalhas entre BigMacs, Fish&Chips, Croissants, Pretzels, Bagels e Sushis. É o “Food Fight”, curta de Stefan Nadelman que apresenta as maiores guerras da história encenadas por comidas típicas. Confira o elenco. A dica foi do Mixirica.

Saiu uma matéria muito bacana na Smashing Magazine com uma seleção de curtas de genêros, temas e técnicas diferentes. Um apanhado de coisas legais pra assistir no YouTube.
Incrível como a inernet facilitou a divulgação de curtas . O que antes envolvia custos de produção que iam desde da compra dos rolos de negativos até a telecinagem e as cópias de exibição – ou caso dos vídeos, as cópias VHS mais o sedex para os canais – é resolvido por uma câmera digital (sim, até do celular!) e um cabo USB. Enfim, como formanda da última turma analógica de RTV da FAAP vejo meus dois anos finais de matérias práticas completamente obsoletos. Estamos muito mais próximos do “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça” do que nos tempos de Glauber Rocha. Imagine Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Humberto Mauro e outros cineastas velha guarda nos tempos do YouTube.
Pra assistir:
Starless Night
Circle of Life
Space Alone
At a glance
Jasper Morello Animated Movie (AMV)
Matéria completa: http://www.smashingmagazine.com/2008/03/03/25-brilliant-animated-short-movies/
Glauber Rocha no YouTube:
Terra em Transe (trechinho)
Maranhão 66
Deus e o Diabo na Terra do Sol
Nelson Pereira dos Santos no YouTube:
Rio 40 Graus
Humberto Mauro no YouTube:
O genial Estava a velha a fiar






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